Meditar

•Junho 12, 2007 • 1 Comentário

Muitos livros, palestras, filmes e filosofias abordam este tema. Desta vez partilho as palavras de Peter Zumthor durante uma palestra realizada em 1998, sobre o tema “Venustas” e uma passagem do filme Dreams (Akira Kurosawa), quando uma personagem entra dentro de um quadro de Van Gogh.

“Um quadro de Rothko, campos de cor vibrantes, abstracção pura. A percepção gira somente em torno do ver, é para mim puramente visual, diz ela. Outras sensações como o cheiro ou o ruído, o táctil ou o tacto não desempenham nenhum papel. Tu entras no quadro que estás a ver. O processo tem a ver com concentração e meditação. E como uma meditação, não de consciência oca, mas sim plenamente consciente. É a concentração no quadro que te torna livre, diz ela. Atinges um outro nível de percepção.”

Zumthor, Peter; Pensar a arquitectura; tradução de Astrid Grabow; Editorial Gustavo Gili; 2005; pp.57 e 58

Akira Kurosawa; Dreams; 1990

Conversa com uma amiga

•Junho 12, 2007 • Deixe um comentário

Depois de uma conversa com uma doce amiga, encontrei este parágrafo num livro de Peter Zumthor que ilustra o tema da conversa. Dedico à minha doce amiga estas palavras.

“Provavelmente, a impressão surgiu primeiro, depois sobreveio a reflexão. E sei também que certas coisas apenas se tornam bonitas mais tarde, através de estímulos, conversas com amigos ou da exploração consciente das minhas memórias esteticamente ainda não classificadas. Também consigo compreender a beleza que outros sentiram e torná-la numa sensação própria, se tiver uma imagem da beleza descrita.”

Zumthor, Peter; Pensar a arquitectura; tradução de Astrid Grabow; Editorial Gustavo Gili; 2005; p.60

Guardador de Rebanhos

•Junho 8, 2007 • Deixe um comentário

Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.

 

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

 

Por isso quando num dia de calor

Me sinto triste de gozá-lo tanto,

E me deito ao comprido na erva,

E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

Sei a verdade e sou feliz.

Caeiro, Alberto – Guardador de Rebanhos

 

E assim, Fernando Pessoa no seu heterónimo Alberto Caeiro escreve sobre o simples acto de sentir.

Diálogos

•Junho 8, 2007 • Deixe um comentário

- Manda embora o frio.

- Sim.

- Manda embora a violência.

- Sim.

- Manda  embora a mentira.

- Sim.

- Manda embora o abismo.

- Sim.

- Deixa-me sentar.

- Senta-te.

- Deixa-te estar.

- Deixa-me ficar.

Ribeiro, Fernando; Diálogos de Vultos {poesia}; Quasi Edições; 2007; p.16

words @ msn

•Maio 20, 2007 • Deixe um comentário

O Homem pode viver alienado de todas as artes, excepto da arquitectura, por ser o contentor onde vive.

escrito numa viagem de comboio:

•Maio 20, 2007 • 1 Comentário

A arquitectura é uma arte acessível a todos. Sendo a primeira das artes (abrigo) permanece num estatuto especial.

No filme “Equilibrum” (Kurt Wimmer), cuja referência directa é o livro “Fahrenheit 451” (Ray Bradburgy), reprimem-se os sentidos e os sentimentos e queima-se a arte. Quer no livro, quer no filme dramatiza-se tal acção com as descrições emocionantes dos amantes da arte que são, consequentemente, os “fora-da-lei”.

Mas igualmente emocionantes são as descrições dos ambientes urbanos e naturais. A cidade, a casa, a família na casa, a personagem na rua, a cidade de noite… a arte está em todo o lado. A arquitectura expressa-se pela visão, audição, tacto e olfacto!!! E esta arte não foi queimada…

E, numa associação de memórias, salta-se, rapidamente, para uma Paris-fedoranta em “O Perfume, História de um assassino” (Patrik Süskind), ou para a “Banda-Sonora-Original-das-Cidades” dos filmes de Jacques Tati, ou quando Amélie Poulain descreve Paris a uma cego, a um ritmo alucinante orquestrado por Yann Tiersen no filme “Amélie From Montmartre” de Jean-Pierre Jeunet.

eQuAçÃo

•Fevereiro 26, 2007 • Deixe um comentário

[ música + tempo + arquitectura ] x HOMEM = ?

O início

•Fevereiro 26, 2007 • Deixe um comentário

Encontrei um parágrafo que pode ser o início da investigação…

“(…) espaço liso deleuziano: “O deserto de areia e o gelo podem ser descritos nesses mesmos termos: neles, nenhuma linha separa a terra do céu, não existe distância intermediária, perspectiva, nem contorno, a visibilidade é ilimitada, e, não obstante, há uma tipologia extraordinariamente fina, que não se baseia em pontos ou objectos, mas sim em hecceidades, em conjunto de relações (os ventos, as ondulações da neve ou da areia, o canto da areia ou a crepitação do gelo, as qualidades tácteis de ambos); trata-se de um espaço tátil, ou melhor, ‘háptico’, e de um espaço sonoro, muito mais de que visual…” “

Ábalos, Iñaki; A boa-vida, Visita guiada às casas da modernidade; tradução de Alícia Duarte Penna; Editorial Gustavo Gili; 2003; p.159