Hipertrofia visual (pt.4) – aesthesis
[Um excerto da dissertação de mestrado]
A equalização sensorial da arquitectura é a força impulsionadora da arquitectura hiper-sensorial. Uma arquitectura que conserva a importância da imagem e estimula a força dos outros sentidos.
A nível biológico, os cinco sentidos encontram-se, directamente, relacionados com o cérebro mais, precisamente, com a secção responsável pela memória. “A antiga palavra grega aesthesis refere-se a percepções sensoriais, e não a teorias de beleza abstractas. Implica uma elevação dos sentimentos e emoções e um despertar dos sentidos, precisamente o oposto de «anestética». O que interessa aqui é o significado original. O processo de estetização eleva a consciência por meio da estimulação sensorial, o que desencadeia uma anestesia compensatória como protecção para o excesso de estímulos. A anestesia age assim paralelamente à estética; uma alimenta-se da outra. […] Mas esta inundação dos sentidos num determinado âmbito oculta a recepção dos impulsos noutro. À consciência que ganhamos em termos sensoriais – odor, gosto, tacto, ouvido e visão –, corresponde um plano de indiferença que cobre tudo o resto. Este processo cria o seu indivíduo, uma espécie de membrana semipermeável que assegura um estado de constante satisfação filtrando tudo o que é indesejável.”1.
1 – LEACH, Neil – A Anestética da Arquitectura. 1ª ed. Lisboa: Edições Antígona, 2005. pp. 81, 82

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