Hipertrofia visual (pt.3) – arquitectura = plantas + cortes + alçados ???
[Um excerto da dissertação de mestrado]
Diversas alterações são identificadas ao longo do processo criativo. O modo de exteriorização do conceito e o diálogo formal deixaram de se processar através do tacto e passaram a ser, predominantemente, visuais e virtuais. O acto de esquissar estimulava o arquitecto a manifestar-se pelos vários sentidos, tais como, o tacto (da folha, da caneta, do grafite, da maqueta e do protótipo) e a visão (que pretende equalizar a imaginação e o real através de qualquer manifestação artística preliminar). Neil Leach afirma:
“Convencionou-se que os arquitectos devem ver o mundo em termos de representação visual – planos, secções, alçados, perspectivas, e por aí fora. O mundo do arquitecto é o mundo da imagem.
As consequências disto são profundas. O facto de se privilegiar a imagem levou a uma compreensão empobrecida do espaço construído, transformando o espaço social numa abstracção fetichizada. A vivência directa foi reduzida a um sistema de significação codificado, e com a crescente valorização da percepção visual, reduziu-se proporcionalmente outras formas de percepção sensorial. [...]
Quanto ao olho do arquitecto, é tão inocente como o lote que lhe é dado para construir ou o papel branco em que desenha o primeiro esboço. O espaço ‘subjectivo’ de que dispõe carrega significados demasiado objectivos. Trata-se de um espaço visual, um espaço reduzido a cópias, a meras imagens – àquele ‘mundo da imagem’ que é o inimigo da imaginação.
Deste modo, e como consequência das técnicas e práticas dentro do atelier, os arquitectos vão-se distanciando cada vez mais do mundo da experiência real.”1.
A quarta dimensão é, por excelência, a dimensão da arquitectura. Contudo, o resultado deste novo modo de concepção arquitectónica, ironicamente, pressupõe que a arquitectura seja vista de um ponto de vista estático. A variável «tempo» é determinante para a percepção de espaços arquitectónicos e os estímulos sensoriais são captados ao longo da narrativa espaço-temporal. A qualidade e intensidade identificadas na percepção espacial dependem de diversos factores, nos quais se destacam dois de suma importância: o segmento sócio-cultural do homem e a sensorialidade do espaço.
1 – LEACH, Neil – A Anestética da Arquitectura. 1ª ed. Lisboa: Edições Antígona, 2005. pp. 25, 27

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