Hipertrofia visual (pt.1) – a perspectiva linear
[Um excerto da dissetação de mestrado]
A arquitectura produzida nos dias de hoje, na sua grande maioria, apresenta uma característica transversal a qualquer estilo, origem ou escola. Tal característica encontra-se na expressão “a importância da imagem na arquitectura”, e revela-se tanto no processo criativo como nos processos perceptivo e analítico. Ao longo dos tempos, os valores e princípios do arquitecto foram evoluindo e, consequentemente, gerando novas variáveis. A necessidade de comunicação entre o arquitecto e o construtor gerou uma sistematização: plantas, cortes e, posteriormente, alçados. O arquitecto, ao contrário do escultor, não produz a sua obra de arte e, por isso, codificou um sistema de representação para que o construtor entenda e construa o projecto representado. Na arte da música aconteceu algo semelhante com a codificação das partituras. Desta forma, um compositor escreve a sua obra de arte, e possibilita que um ou mais músicos reproduzam a peça musical.
Na evolução histórica da arquitectura, o sistema da representação e os vários tratados e manifestos artísticos são considerados marcos de grande importância. Mas o grande momento que alterou todo o panorama artístico foi a descoberta e codificação da perspectiva linear. A profunda pesquisa sobre o entendimento da visão humana culminou com essa descoberta, durante o Renascimento. Não só a arte bidimensional (pintura) se tornou mais real, como o modo de ver e criar arquitectura também mudou. No século XXI ainda se sentem os efeitos dessas mudanças. A expressão anónima «uma imagem vale mais que mil palavras» assumiu-se como o modus operandi do arquitecto contemporâneo.
“En el renacimiento se consideraba que los cinco sentidos formaban un sistema jerárquico, desde el sentido más elevado de la vista hasta el más bajo del tacto. El sistema renacentista de los sentidos estaba relacionado con la imagen del cuerpo cósmico; la visión guardaba correlación con el fuego y la luz, el oído con el aire, el olfato con el vapor, el gusto con el agua y el tacto con la tierra.
La intervención de la representación en perspectiva hizo del ojo el punto central del mundo perceptivo, así como del concepto del yo. La propia representación en perspectiva se convirtió en una forma simbólica que no sólo describe sino que también condiciona la percepción.
No cabe duda de que nuestra cultura tecnológica ha ordenado y separado los sentidos aún con más claridad. La vista y el oído son ahora los sentidos socialmente privilegiados, mientras que se considera a los otros tres como restos sensoriales arcaicos con una función meramente privada y, normalmente, son suprimidos por el código de la cultura. Sólo algunas sensaciones, como el disfrute olfativo de una comida o de la fragancia de las flores a la conciencia en nuestro código de cultura ocularcentrista y obsesivamente higiénico.”1
1 – PALLASMAA, Juhani – Los ojos de la piel. 1ª ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2006. pp. 15, 16

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