A expressão “o homem e a natureza” é um pleonasmo, se a Natureza for entendida de forma integral. A Natureza não rejeitou os animais racionais. Estes, durante a sua evolução, tendem a distanciar-se dela, criando naturezas artificiais ou anti-naturezas (cidades). Como a arquitectura é uma expressão artística, independentemente da escala (pormenor, edifício, cidade, metrópole, país…) a arquitectura deve ser entendida como parte integrante da Natureza e não como a sua antítese.
Assim, a criação das naturezas artificiais, que, perante esta abordagem, visa o distanciamento à Natureza, apresenta um paradigma oposto. Como o Homem faz parte da Natureza, qualquer manifestação artística, inter-relacional, emocional, intuicional, faz parte da Natureza. Não abordando o tema através da filosofia ocidental (arte; processo criativo; estética) nem da psicologia (comportamentos; relações; emoções), o despertar para uma visão integral e integrante, induz a uma leitura mais sensorial da relação entre o Homem e a Arquitectura.
Tal visão encontra-se defendida na filosofia oriental denominada de Sámkhya [termo sânscrito]. Esta é classificada como a mais antiga filosofia teórico-especulativa. Os vestígios encontram-se associados à civilização Harappiana, localizada no Vale do Indo (3.000 a.C.). O livro que mais apresenta tal conclusão é o Atharva Vêda [título original em sânscrito] que descreve o quotidiano desta civilização. A subdivisão mais antiga, o Niríwshwarasámkhya [termo sânscrito], defende que tudo o que acontece tem como origens causas naturais, mesmo que estas não sejam inteligíveis.

