O conceito “sentidos urbanos” vai ser alargado a mais actividades e terá direito a um espaço físico. Enquanto idealizo o projecto de arquitectura, vou testar uma nova imagem para este blog, bem como planear os futuros conteúdos a inserir.
Até breve!
Novidades
•Março 26, 2010 • Deixe um ComentárioHipertrofia visual (pt.4) – aesthesis
•Novembro 3, 2009 • Deixe um Comentário[Um excerto da dissertação de mestrado]
A equalização sensorial da arquitectura é a força impulsionadora da arquitectura hiper-sensorial. Uma arquitectura que conserva a importância da imagem e estimula a força dos outros sentidos.
A nível biológico, os cinco sentidos encontram-se, directamente, relacionados com o cérebro mais, precisamente, com a secção responsável pela memória. “A antiga palavra grega aesthesis refere-se a percepções sensoriais, e não a teorias de beleza abstractas. Implica uma elevação dos sentimentos e emoções e um despertar dos sentidos, precisamente o oposto de «anestética». O que interessa aqui é o significado original. O processo de estetização eleva a consciência por meio da estimulação sensorial, o que desencadeia uma anestesia compensatória como protecção para o excesso de estímulos. A anestesia age assim paralelamente à estética; uma alimenta-se da outra. […] Mas esta inundação dos sentidos num determinado âmbito oculta a recepção dos impulsos noutro. À consciência que ganhamos em termos sensoriais – odor, gosto, tacto, ouvido e visão –, corresponde um plano de indiferença que cobre tudo o resto. Este processo cria o seu indivíduo, uma espécie de membrana semipermeável que assegura um estado de constante satisfação filtrando tudo o que é indesejável.”1.
1 – LEACH, Neil – A Anestética da Arquitectura. 1ª ed. Lisboa: Edições Antígona, 2005. pp. 81, 82
Hipertrofia visual (pt.3) – arquitectura = plantas + cortes + alçados ???
•Julho 14, 2009 • Deixe um Comentário[Um excerto da dissertação de mestrado]
Diversas alterações são identificadas ao longo do processo criativo. O modo de exteriorização do conceito e o diálogo formal deixaram de se processar através do tacto e passaram a ser, predominantemente, visuais e virtuais. O acto de esquissar estimulava o arquitecto a manifestar-se pelos vários sentidos, tais como, o tacto (da folha, da caneta, do grafite, da maqueta e do protótipo) e a visão (que pretende equalizar a imaginação e o real através de qualquer manifestação artística preliminar). Neil Leach afirma:
“Convencionou-se que os arquitectos devem ver o mundo em termos de representação visual – planos, secções, alçados, perspectivas, e por aí fora. O mundo do arquitecto é o mundo da imagem.
As consequências disto são profundas. O facto de se privilegiar a imagem levou a uma compreensão empobrecida do espaço construído, transformando o espaço social numa abstracção fetichizada. A vivência directa foi reduzida a um sistema de significação codificado, e com a crescente valorização da percepção visual, reduziu-se proporcionalmente outras formas de percepção sensorial. [...]
Quanto ao olho do arquitecto, é tão inocente como o lote que lhe é dado para construir ou o papel branco em que desenha o primeiro esboço. O espaço ‘subjectivo’ de que dispõe carrega significados demasiado objectivos. Trata-se de um espaço visual, um espaço reduzido a cópias, a meras imagens – àquele ‘mundo da imagem’ que é o inimigo da imaginação.
Deste modo, e como consequência das técnicas e práticas dentro do atelier, os arquitectos vão-se distanciando cada vez mais do mundo da experiência real.”1.
A quarta dimensão é, por excelência, a dimensão da arquitectura. Contudo, o resultado deste novo modo de concepção arquitectónica, ironicamente, pressupõe que a arquitectura seja vista de um ponto de vista estático. A variável «tempo» é determinante para a percepção de espaços arquitectónicos e os estímulos sensoriais são captados ao longo da narrativa espaço-temporal. A qualidade e intensidade identificadas na percepção espacial dependem de diversos factores, nos quais se destacam dois de suma importância: o segmento sócio-cultural do homem e a sensorialidade do espaço.
1 – LEACH, Neil – A Anestética da Arquitectura. 1ª ed. Lisboa: Edições Antígona, 2005. pp. 25, 27
Hipertrofia visual (pt.2) – arquitectura: sedução ou persuação?
•Junho 29, 2009 • Deixe um Comentário[Um excerto da dissertação de mestrado]
Nos actuais concursos de arquitectura, a importância da imagem revela-se nas propostas apresentadas e representadas em painéis com imagens de tal forma espectaculares, que, em diversas situações, permitem a organização de exposições. Durante o processo de concepção, o arquitecto tende a sobrevalorizar a imagem, pois entende que esta é o único veículo de comunicação entre o concorrente e o júri do concurso. Neil Leach expressa esta mesma visão: “O mundo ameaça assim ser cada vez mais compreendido em termos de imagens estéticas vazias de conteúdo.”1.
Identifica-se uma obsessão pela imagem. O arquitecto contemporâneo utiliza ferramentas de simulação tridimensional, mas expõe o projecto, somente, através de composições estáticas e a duas dimensões. Quando os pressupostos de sobrevalorização da imagem se transpõem para a obra em si, destaca-se um problema (ou uma dicotomia): «o homem estático vê a arquitectura» ou «o homem em movimento sente a arquitectura»? Sabendo que a maioria dos prazeres são vividos com os olhos fechados, como se sente uma arquitectura que foi concebida só para ser vista?
Peter Zumthor muda o sujeito da questão anterior e afirma: “Uma boa arquitectura deve hospedar o homem, deixá-lo presenciar e habitar, e não tentar persuadir.”2.
No entanto, Juhani Pallasmaa demonstra alguns dos efeitos colaterais da sobrevalorização da imagem: “Creo que muchos aspectos de la patología de la arquitectura corriente actual pueden entenderse mediante un análisis de la epistemología de los sentidos y una crítica a la tendencia ocularcentrista de nuestra sociedad en general, y de la arquitectura en particular. La inhumanidad de la arquitectura y la ciudad contemporáneas puede entenderse como consecuencia de una negligencia del cuerpo y de la mente, así como un desequilibrio de nuestro sistema sensorial. Por ejemplo, las crecientes experiencias de alienación, distanciamento y soledad en el mundo tecnológico actual pueden estar relacionadas con cierta patología de los sentidos. […] El dominio del ojo y la eliminación del resto de sentidos tiende a empujarnos hacia el distanciamiento, el aislamiento y la exterioridad. Sin duda, el arte del ojo ha producido edificios imponentes y dignos de reflexión, pero no ha facilitado el arraigo humano en el mundo.”3
1 – LEACH, Neil – A Anestética da Arquitectura. 1ª ed. Lisboa: Edições Antígona, 2005. p. 22
2 – ZUMTHOR, Peter – Pensar a arquitectura. 1ª ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2005. p. 28
3 – PALLASMAA, Juhani – Los ojos de la piel. 1ª ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2006. pp. 18, 19
Hipertrofia visual (pt.1) – a perspectiva linear
•Junho 18, 2009 • Deixe um Comentário[Um excerto da dissetação de mestrado]
A arquitectura produzida nos dias de hoje, na sua grande maioria, apresenta uma característica transversal a qualquer estilo, origem ou escola. Tal característica encontra-se na expressão “a importância da imagem na arquitectura”, e revela-se tanto no processo criativo como nos processos perceptivo e analítico. Ao longo dos tempos, os valores e princípios do arquitecto foram evoluindo e, consequentemente, gerando novas variáveis. A necessidade de comunicação entre o arquitecto e o construtor gerou uma sistematização: plantas, cortes e, posteriormente, alçados. O arquitecto, ao contrário do escultor, não produz a sua obra de arte e, por isso, codificou um sistema de representação para que o construtor entenda e construa o projecto representado. Na arte da música aconteceu algo semelhante com a codificação das partituras. Desta forma, um compositor escreve a sua obra de arte, e possibilita que um ou mais músicos reproduzam a peça musical.
Na evolução histórica da arquitectura, o sistema da representação e os vários tratados e manifestos artísticos são considerados marcos de grande importância. Mas o grande momento que alterou todo o panorama artístico foi a descoberta e codificação da perspectiva linear. A profunda pesquisa sobre o entendimento da visão humana culminou com essa descoberta, durante o Renascimento. Não só a arte bidimensional (pintura) se tornou mais real, como o modo de ver e criar arquitectura também mudou. No século XXI ainda se sentem os efeitos dessas mudanças. A expressão anónima «uma imagem vale mais que mil palavras» assumiu-se como o modus operandi do arquitecto contemporâneo.
“En el renacimiento se consideraba que los cinco sentidos formaban un sistema jerárquico, desde el sentido más elevado de la vista hasta el más bajo del tacto. El sistema renacentista de los sentidos estaba relacionado con la imagen del cuerpo cósmico; la visión guardaba correlación con el fuego y la luz, el oído con el aire, el olfato con el vapor, el gusto con el agua y el tacto con la tierra.
La intervención de la representación en perspectiva hizo del ojo el punto central del mundo perceptivo, así como del concepto del yo. La propia representación en perspectiva se convirtió en una forma simbólica que no sólo describe sino que también condiciona la percepción.
No cabe duda de que nuestra cultura tecnológica ha ordenado y separado los sentidos aún con más claridad. La vista y el oído son ahora los sentidos socialmente privilegiados, mientras que se considera a los otros tres como restos sensoriales arcaicos con una función meramente privada y, normalmente, son suprimidos por el código de la cultura. Sólo algunas sensaciones, como el disfrute olfativo de una comida o de la fragancia de las flores a la conciencia en nuestro código de cultura ocularcentrista y obsesivamente higiénico.”1
1 – PALLASMAA, Juhani – Los ojos de la piel. 1ª ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2006. pp. 15, 16
O despertar dos sentidos urbanos
•Junho 18, 2009 • 1 Comentário[Um excerto da dissertação de mestrado]
O arquitecto Peter Zumthor, tanto nos seus projectos como nos seus textos, demonstra uma grande sensibilidade, tanto na análise do espaço arquitectónico, como no processo criativo: “Para projectar, para inventar arquitectura, temos que aprender a tratá-los conscientemente. Isto é trabalho de investigação, é trabalho de memória.
[…] Experimentar concretamente a arquitectura, isto é tocar, ver, ouvir, cheirar o seu corpo. Descobrir estas qualidades e ocupar-se conscientemente com elas […].”1
Mesmo numa arquitectura hiper-sensorial, o prazer da criação artística é a força que motiva um arquitecto a projectar: “Devo admitir que me daria muito prazer conseguir criar coisas que os outros amem.”2
1 – ZUMTHOR, Peter – Pensar a arquitectura. 1ª ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2005. p. 54
2 – ZUMTHOR, Peter – Atmosferas. 1ª ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2006. p. 67
Novidades
•Junho 1, 2009 • Deixe um ComentárioSei que este blog ficou parado durante algum tempo. Agora, após concluir o mestrado e o primeiro ano curricular do doutoramento, vou utilizar esta ferramenta para expôr os meus pensamentos e reflexões.
Até breve!
Homem versus Natureza (?)
•Abril 2, 2008 • 2 ComentáriosA expressão “o homem e a natureza” é um pleonasmo, se a Natureza for entendida de forma integral. A Natureza não rejeitou os animais racionais. Estes, durante a sua evolução, tendem a distanciar-se dela, criando naturezas artificiais ou anti-naturezas (cidades). Como a arquitectura é uma expressão artística, independentemente da escala (pormenor, edifício, cidade, metrópole, país…) a arquitectura deve ser entendida como parte integrante da Natureza e não como a sua antítese.
Assim, a criação das naturezas artificiais, que, perante esta abordagem, visa o distanciamento à Natureza, apresenta um paradigma oposto. Como o Homem faz parte da Natureza, qualquer manifestação artística, inter-relacional, emocional, intuicional, faz parte da Natureza. Não abordando o tema através da filosofia ocidental (arte; processo criativo; estética) nem da psicologia (comportamentos; relações; emoções), o despertar para uma visão integral e integrante, induz a uma leitura mais sensorial da relação entre o Homem e a Arquitectura.
Tal visão encontra-se defendida na filosofia oriental denominada de Sámkhya [termo sânscrito]. Esta é classificada como a mais antiga filosofia teórico-especulativa. Os vestígios encontram-se associados à civilização Harappiana, localizada no Vale do Indo (3.000 a.C.). O livro que mais apresenta tal conclusão é o Atharva Vêda [título original em sânscrito] que descreve o quotidiano desta civilização. A subdivisão mais antiga, o Niríwshwarasámkhya [termo sânscrito], defende que tudo o que acontece tem como origens causas naturais, mesmo que estas não sejam inteligíveis.
Faça-se Sentido!
•Março 25, 2008 • 6 ComentáriosEntendendo o Blog como ferramenta de trabalho para o mestrado que me encontro a desenvolver, deixo este post para receber os vossos comentários.
O tema em investigação é: Sentidos Urbanos. A imagem (visão) tem vindo a ganhar um grande protagonismo no processo criativo e construtivo da cidade. Assim, pretendo explorar os outros quatro sentidos. Quem nunca se sentiu atraído pelo som de uma queda de água (ou mesmo fonte) que não se encontrava abrangido pelo nosso campo visual?
Aguardo comentários, referências bibliográficas, experiências pessoais… Tudo o que sentirem útil esta investigação, que pretende aproximar a Arquitectura do Homem.
Para isso basta clicar em comentário ou, se preferirem, enviem-me por mail sentidos.urbanos[arroba]gmail.com.
Obrigado!
Filme de domingo
•Setembro 16, 2007 • 1 ComentárioHoje vi pela primeira vez um filme de Aurélie du Boys. Um filme peculiar, pois a faixa áudio foi a primeira a ficar pronta, ou melhor, a primeira a ser editada. O filme conta ainda com uma edição em CD da banda sonora integral do filme, durante 90 minutos.
Não se trata de um manifesto, mas sim de um trabalho de Yann Tiersen. No seu último trabalho “On Tour” que representa a digressão de “Les Retrouvailles”, o compositor e multi-instrumentista edita uma edição especial (CD + DVD) onde o concerto é transformado em filme de autor. Imagens de vários concertos, backstage, devaneios, excertos de outras películas compõem o filme “Yann Tiersen On Tour”.
Não é novidade, mas já que estive de cama durante o fim-de-semana, decidi ver este DVD que adquiri há mais de 6 meses (no concerto na Casa das Artes de Famalicão).
Partilho então dois excertos do DVD de um dos meus compositores preferidos:
Yann Tiersen – Teaser DVD “On Tour”
Yann Tiersen – Le Banquet
